Recife - PE | 1962
22. Pelas ruas de Recife
34,0 x 24,0 cm | Serigrafia aquarelada à mão
A vida da cidade se passa nas ruas, como acontece sempre nas terras ensolaradas. Nem um palmo de calçada, e por vezes do leito das ruas da velha cidade que não esteja apinhado de gente simples.
Espalhadas por terra ou sobre frágeis bancas, penduradas nas paredes das igrejas ou oferecidas em tabuleiros suspensos ao pescoço dos camelôs, encontramos ao passear todos os objetos e adornos necessários aos mais diversos fins. Há a rua dos couros, a rua das roupas feitas, a rua das rendas e a das roupas de baixo, o bairro (já ia chamá-lo de souk¹) do ferro velho, o canto das mercearias, e, por toda a parte, balas, perfumes baratos, bugigangas de matéria plástica. Há até (eu vi apenas um) um vendedor de guarda-chuvas de segunda mão!
Se a fome aperta, o aroma apetitoso das espigas de milho assadas nos atrai. Sentimos sede? Há laranjas e abacaxis à vontade. E se procuramos coisas mais típicas, paramos diante de um monte de cocos; com três golpes de peixeira, o coco é decapitado, e podemos saborear o leite adocicado nessa taça natural.
Do alto das pontes, os pescadores de caranguejos lançam suas redes com iscas de sobras de carne podre. Ao longo do cais do Capibaribe, perambula uma legião de pequenos engraxates. Mas há também, infelizmente, muitos pobres sem abrigo. Vemo-los, à noite, dormindo sob o céu estrelado, que nem sempre é tão belo quanto o cantam os poetas!
1. Mercado popular tradicional nos países árabes.

