Caruaru - PE | 1962
26. Caruaru
22,7 x 28,0 cm | Serigrafia aquarelada à mão
Cercada de montanhas, no centro de uma região de aparência desértica, onde cercas de baraúna, de ramagens semelhantes a longas lagartas verdes, separam campos brenhosos e prados crestados pela seca, Caruaru, cidade do interior de Pernambuco, desperta aos sábados, depois de uma semana de sonolento torpor. Como em todas as cidades e vilas, sábado é dia de feira. Desde a véspera, as ruas centrais e a avenida principal plantada de flamboyants cobriram-se de barracas. Dos campos inabitados, saídos não se sabe de onde, homens, mulheres, crianças acorrem à cidade, precedidos do inevitável e carregado burrico cinzento. Carros de bois, caminhões, cavalos de montaria e de carga se aglomeram nas proximidades do centro.
Como num conto das “Mil e Uma Noites”, dir-se-ia que a varinha mágica de um gênio fez surgir do nada essa multidão e essa abundância de bens; montanhas de frutas, carne verde e charque, utensílios, farinhas e cereais, cestos, arreios, chapéus e sapatos, cordas de sisal e cordas de fumo de perfume violento, móveis, aves e laticínios, e também, o que é muito natural vindo de um gênio, tudo o que é preciso para fazer ou conjurar feitiço ou para conquistar o coração da bem-amada.

